O real não conseguiu acompanhar o tom positivo do mercado financeiro nesta sexta-feira, influenciado por especulações sobre as eleições presidenciais de 2026. A recente queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indicada por pesquisas como o levantamento do Datafolha, gerou incertezas políticas que afetaram o câmbio. Apesar da leve alta do dólar, o movimento foi moderado, com menor liquidez devido ao feriado nos Estados Unidos. Especialistas observaram ajustes técnicos e realização de lucros após a valorização do real nos últimos dias.
No mercado de câmbio, o dólar teve uma leve alta de 0,29%, fechando a R$ 5,7125, após um pico de R$ 5,72 no início do dia. Esse comportamento foi influenciado pelo cenário de incerteza política e o “trade eleitoral”, em que investidores ajustam suas expectativas de acordo com a perspectiva de uma mudança no cenário político. O real, no entanto, tem apresentado um bom desempenho este ano, com uma desvalorização acumulada de apenas 2,13% em fevereiro, refletindo uma atratividade do Brasil para investidores estrangeiros, especialmente no setor de renda fixa.
Analistas de mercado apontam que a perda de popularidade de Lula pode abrir espaço para o crescimento de candidatos da oposição, com foco em políticas de austeridade fiscal. A queda do dólar em relação ao real desde o fim de 2024 foi impulsionada por fatores internos e externos, incluindo a expectativa de juros mais altos no Brasil. Apesar do alívio no curto prazo, especialistas alertam que o risco fiscal ainda é elevado e pode resultar em uma taxa de câmbio mais depreciada ao longo de 2025, com projeções indicando que o dólar poderá se manter próximo a R$ 5,90 até o fim deste ano e em 2026.