Um levantamento realizado pela SaferNet Brasil identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas, em dez estados brasileiros. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10), em São Paulo, durante um evento que celebra o Dia da Internet Segura. As deepfakes sexuais consistem em imagens ou vídeos gerados com inteligência artificial, que manipulam o rosto das vítimas sem seu consentimento, configurando uma violação grave de privacidade e dignidade humana.
De acordo com a pesquisadora Sofia Schuring, todas as vítimas identificadas são mulheres, incluindo alunas e professoras. O estado de São Paulo apresenta o maior número de ocorrências, com 51 vítimas, seguido por Mato Grosso e Pernambuco, ambos com 30, e Rio de Janeiro, com 20. Além disso, o levantamento revelou a existência de 60 autores dos crimes relacionados.
A SaferNet também opera a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que, desde 2023, recebeu 264 links relacionados a deepfakes e outros tipos de abuso. A organização destacou que a atuação criminosa é frequentemente apoiada por falhas na governança das plataformas digitais e propõe medidas para mitigar esses riscos, incluindo o banimento de ferramentas que ajudam na disseminação de conteúdos ilegais.

