O debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil, que envolve a redução da jornada de trabalho, ganha contornos mais sensíveis no cenário econômico atual. O economista André Galhardo, ouvido pelo programa Mercado, defende o fim dessa jornada, argumentando que a realidade brasileira torna esse modelo inviável. Com uma infraestrutura precária e longos deslocamentos, sobra pouco tempo para descanso e vida pessoal, afetando a qualidade de vida dos trabalhadores.
Nos bastidores do mercado, cresce a avaliação de que qualquer mudança significativa precisa ser feita com cautela. Ao invés de uma transição abrupta de 44 para 36 horas, há uma crescente aceitação da proposta de uma jornada de 40 horas semanais. Essa estratégia visa permitir que setores da economia se ajustem, reorganizando turnos e recalibrando custos sem provocar impactos negativos na produtividade ou nos preços.
A discussão sobre a jornada de trabalho também se relaciona ao apagão de mão de obra e à alta informalidade no mercado, que beira 40%. A expectativa é que a redução da carga horária possa atrair trabalhadores subocupados e estimular a formalização, ampliando a base de emprego sem gerar pressões inflacionárias excessivas. O tema está em pauta no Congresso Nacional, onde o governo busca unificar propostas para avançar com a reforma.

