O governo federal decidiu, em 6 de fevereiro de 2026, suspender a contratação de uma empresa para a dragagem do Rio Tapajós, localizado no estado do Pará. A medida foi anunciada em uma nota oficial assinada por ministros, em resposta às mobilizações realizadas por povos indígenas e organizações sociais que protestam contra a concessão da hidrovia prevista no Decreto 12.600, editado no ano passado.
Os protestos, que ocorrem em Santarém, envolvem cerca de 7 mil indígenas de 14 etnias diferentes, que reivindicam a revogação do decreto. O governo, em sua nota, afirmou que a suspensão é um gesto de negociação, embora assegure que as obras de dragagem são ações de rotina e não estão diretamente ligadas à concessão da hidrovia. Além disso, o governo reafirmou o compromisso de realizar consultas prévias aos povos impactados por futuros empreendimentos na região.
Como desdobramento, o governo anunciou a criação de um grupo de trabalho interministerial para discutir a questão da hidrovia do Tapajós, envolvendo representantes das comunidades locais. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira manifestou apoio às mobilizações, alertando para os riscos socioambientais associados à dragagem e à concessão da hidrovia, que pode afetar gravemente os modos de vida e os territórios tradicionais dos povos indígenas.


