O epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor titular da USP, definiu os alimentos ultraprocessados como formulações químicas compostas por poucos ingredientes naturais e muitos aditivos. Esse conceito, que surgiu há 16 anos, revolucionou a forma como a sociedade brasileira enxerga os alimentos, especialmente em um cenário no qual o aumento da obesidade se tornava evidente. O trabalho de Monteiro não só influenciou a nutrição no Brasil, mas também teve repercussão internacional.
Ao longo de sua carreira, Monteiro destacou a relação entre o consumo crescente de alimentos ultraprocessados e o aumento de doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares. Sua pesquisa, realizada pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP, revelou a transição nutricional do Brasil, onde a população passou a consumir mais produtos industrializados em detrimento de ingredientes naturais. Esta mudança alimentar está associada a graves implicações para a saúde pública, reforçando a necessidade de uma dieta mais equilibrada.
Atualmente, Monteiro se tornou uma figura central nos debates sobre regulamentações alimentares, sendo reconhecido mundialmente por suas contribuições. Sua classificação de alimentos influenciou diretrizes como o Guia Alimentar para a População Brasileira, mas enfrenta críticas de especialistas que defendem a indústria alimentícia. Apesar da resistência, seu trabalho continua a pautar discussões sobre a saúde da população e a necessidade de uma alimentação mais sustentável e saudável.

