A suplementação de cálcio durante a gestação, considerada essencial na prevenção da pré-eclâmpsia, enfrenta um novo questionamento após uma revisão da Cochrane, publicada em dezembro. O estudo analisou dados de 37.504 gestantes e concluiu que a suplementação não reduziu significativamente a incidência da condição, o que pode mudar as recomendações médicas. A pré-eclâmpsia é uma complicação grave que afeta de 2% a 8% das gestações e pode resultar em parto prematuro ou perda de vidas.
Apesar das novas evidências, especialistas, como a ginecologista Ana Paula Beck, ressaltam que ainda há espaço para a suplementação de cálcio em gestantes de alto risco e com baixa ingestão do mineral. O Ministério da Saúde do Brasil, que recentemente incorporou a suplementação universal de cálcio como medida preventiva, segue as orientações da OMS. A revisão gera um debate sobre o uso do cálcio como estratégia de saúde pública, especialmente em um contexto marcado por desigualdades na saúde materna.
A Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp) reconhece a importância da revisão, mas defende a continuidade da suplementação para gestantes em grupos de risco. A expectativa é que novas diretrizes sejam formuladas à medida que mais evidências se tornem disponíveis. As gestantes devem conversar com seus médicos para determinar a melhor abordagem, considerando os potenciais benefícios e riscos envolvidos.

