Argélia exige reparações e agrava tensões com a França

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

Em dezembro de 2025, o parlamento argelino aprovou uma lei que exige reparações e criminaliza o domínio colonial francês, intensificando as tensões diplomáticas entre Argélia e França. A nova legislação destaca crimes históricos, incluindo testes nucleares realizados pela França em solo argelino após a Segunda Guerra Mundial, refletindo um agravamento nas relações bilaterais.

O cenário se tornou ainda mais tenso após a França reconhecer, em 2024, o Saara Ocidental como parte do Marrocos, uma decisão que gerou uma crise diplomática sem precedentes. Especialistas, como a pesquisadora Vitória França, alertam que cada novo desentendimento entre os dois países se transforma em um grande problema, evidenciando a fragilidade das relações. Apesar de um pedido de desculpas formal da França ser considerado um passo positivo, a probabilidade disso ocorrer é considerada baixa, dadas as questões políticas internas do governo francês.

Ainda que a nova lei tenha um caráter interno, analistas ressaltam sua importância simbólica, colocando o regime colonial francês no banco dos réus da história. O historiador Sayid Marcos Tenório enfatiza a necessidade de reconhecimento dos crimes cometidos, mas considera inviável levar a discussão a organismos internacionais devido à atual correlação de forças. Assim, a cobrança argelina por reparações é vista como um movimento relevante no contexto das relações de ex-colônia e potência colonial.

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