Com o retorno às aulas, o ambiente escolar se transforma em um espaço que vai além das interações presenciais, estendendo-se para o digital, onde o cyberbullying se torna uma preocupação crescente. Uma pesquisa realizada pelo ChildFund revelou que 21% das meninas e 10% dos meninos se sentem inseguros online, com as redes sociais, especialmente o Instagram, sendo apontadas como as mais arriscadas. O estudo, que abrangeu 8.436 adolescentes brasileiros, ressalta como as dinâmicas de bullying se perpetuam no ambiente digital, intensificando os impactos sobre as vítimas.
Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund, enfatiza que o cyberbullying acentua os danos emocionais, especialmente em jovens que ainda não têm um desenvolvimento psicológico completo. A pesquisa também aponta que adolescentes de escolas públicas relatam maior exposição ao bullying online, com 63% afirmando ter sido abordados por desconhecidos. A falta de supervisão parental, com apenas 35% dos jovens relatando acompanhamento no uso da internet, mostra a necessidade urgente de um diálogo mais efetivo sobre segurança digital.
Com a promulgação da Lei nº 14.811/2024, que estabelece punições para o bullying e cyberbullying, o Brasil dá um passo importante no combate a essas práticas. No entanto, o número de ocorrências registradas ainda é alarmante, com 2.935 casos identificados em 2024. O ChildFund recomenda a implementação de estratégias educativas e o fortalecimento do controle digital, além de capacitar pais e responsáveis, visando criar um ambiente mais seguro para crianças e adolescentes na era digital.

