As autoridades japonesas revelaram que estão em diálogo contínuo com os Estados Unidos sobre questões cambiais, porém evitaram confirmar qualquer intervenção direta no mercado. A reação imediata do mercado foi evidente, com o iene se valorizando após notícias sobre o Federal Reserve Bank of New York realizando ‘checagens de taxa’, o que levantou especulações sobre uma potencial ação conjunta entre os dois países, algo que não ocorre há cerca de 15 anos.
O coordenador de finanças do Insper, Ricardo Rocha, destaca que o contexto é mais amplo, envolvendo a posição do Japão como aliado estratégico dos EUA desde o pós-Segunda Guerra Mundial. Um Japão enfraquecido, seja econômica ou financeiramente, não é do interesse de Washington, especialmente em um cenário onde o país enfrenta um rápido envelhecimento populacional e desafios tecnológicos. O Fundo Monetário Internacional também observa de perto a situação da dívida pública japonesa.
Laura Pacheco, economista, ressalta a questão da soberania, indicando que a influência dos EUA nas decisões monetárias do Japão evidencia como os interesses geopolíticos podem se sobrepor a fronteiras nacionais. Para os mercados, a mensagem é clara: o foco não é apenas na defesa do iene, mas na manutenção de um equilíbrio estratégico numa região asiática cada vez mais competitiva.

