O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está reformulando sua abordagem discursiva na pré-campanha eleitoral, visando diminuir a rejeição em regiões fora do Nordeste. Com a direita fragmentada em disputas internas, Lula aposta em uma narrativa que prioriza investimentos e infraestrutura, afastando-se do rótulo de “pai dos pobres” que o associou fortemente à agenda social.
A mudança na estratégia é impulsionada pela percepção de que a ênfase exclusiva em programas sociais, como o Bolsa Família, é eficaz no Nordeste, mas não suficiente para conquistar o eleitorado urbano e a classe média, que precisam de uma mensagem voltada para o crescimento econômico. A proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 exemplifica essa tentativa de aproximação com a classe média, importante para o sucesso eleitoral nas disputas acirradas.
Lula busca, assim, recuperar eleitores que se afastaram ao longo de seu mandato, mantendo ao mesmo tempo o apoio de sua base fiel que valoriza as políticas sociais. A divisão entre as lideranças da direita proporciona um cenário favorável para o presidente, que pode moldar o debate público e solidificar sua posição como candidato à reeleição, ao mesmo tempo em que tenta ampliar sua influência sem perder sua identidade política.

