Um grupo de advogados e familiares de membros de cartéis mexicanos acusou o governo do México de infringir a lei ao enviar quase cem cidadãos para os Estados Unidos sem a devida ordem de extradição. As transferências ocorreram em um contexto de crescente pressão da administração Trump, que ameaçou ações militares contra cartéis mexicanos. O governo, liderado pela presidente Claudia Sheinbaum, já enviou 92 membros de cartéis em três ocasiões desde fevereiro deste ano.
As transferências têm gerado um intenso debate jurídico, com advogados argumentando que seus clientes foram privados do devido processo legal. Eles destacam que a Constituição mexicana exige uma ordem de extradição, o que não foi respeitado. Além disso, as ações do governo mexicano são vistas como uma tentativa de melhorar o relacionamento com os EUA, enquanto observadores alertam para as implicações para os direitos dos acusados, que podem enfrentar dificuldades legais uma vez fora do país.
As acusações de violação de direitos legais e a pressão internacional sobre o México levantam questões sobre a eficácia das políticas de segurança e combate ao crime organizado. A situação pode levar a um fortalecimento dos debates sobre a necessidade de reformas legais e maior transparência nas ações do governo. O caso também reflete a complexa dinâmica entre a segurança pública e os direitos humanos em um cenário de crescente colaboração entre os EUA e o México no combate ao crime transnacional.

