A Heineken anunciou a saída de Dolf van den Brink do cargo de CEO global, em um momento crítico para o mercado cervejeiro no Brasil, que enfrenta uma queda significativa nas vendas. A decisão, comunicada no início da semana retrasada, coincide com a expansão da capacidade da empresa no País, especialmente na nova planta de Passos, Minas Gerais, que deve incrementar a produção em 5 milhões de hectolitros anuais.
Os dados recentes mostram que a Heineken viu uma redução de 4,3% em seu volume global de cerveja no terceiro trimestre de 2025, com uma queda ainda mais acentuada nas Américas. Além disso, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja aponta que o consumo no Brasil caiu entre 6,5% e 7% de janeiro a setembro de 2025, levando a questionamentos sobre a viabilidade dos investimentos da Heineken no País e a eficácia de sua estratégia de crescimento.
O cenário desafiador também se reflete em mudanças de hábitos de consumo, com o consumidor adquirindo menos litros de cerveja por vez devido à deterioração da renda disponível e ao aumento da concorrência por gastos. Apesar de algumas expectativas de recuperação em 2026, como a Copa do Mundo e mais feriados, os especialistas alertam que a recuperação do volume de vendas pode ser lenta, dependendo mais do aumento das ocasiões de consumo do que de uma recuperação econômica rápida.

