A Heineken anunciou a saída de Dolf van den Brink de sua posição como CEO global, um movimento que acontece em um cenário desafiador para o mercado de cerveja no Brasil, que apresenta queda significativa nas vendas. Com a mudança ocorrendo no início da semana passada, a empresa enfrenta uma pressão crescente sobre suas margens de lucro e um debate renovado sobre a sustentabilidade de seus investimentos no país.
Os analistas destacam que a troca de liderança coincide com a expansão da capacidade de produção da Heineken, em especial na planta localizada em Passos, Minas Gerais. Apesar da ampliação, o volume global de cerveja da empresa caiu 4,3% no terceiro trimestre de 2025, com uma retração ainda mais acentuada nas Américas. Os dados da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja indicam que o consumo no Brasil caiu entre 6,5% e 7% em comparação com o ano anterior, evidenciando um ambiente de consumo fraco e desafios persistentes para a marca.
O impacto da retração no consumo de cerveja é atribuído a diversos fatores, incluindo condições climáticas desfavoráveis e uma maior competição pelo orçamento dos consumidores, que também tem sido afetado por juros elevados. Embora a Heineken tenha mantido os preços congelados por um período, a necessidade de reajustes se tornou evidente. O futuro do mercado pode ser influenciado por eventos como a Copa do Mundo e feriados, mas ainda não há garantias de uma recuperação rápida no volume de vendas, refletindo um cenário de cautela para a empresa.

