Indústria brasileira recorre a empréstimos de longo prazo para despesas diárias

Marcela Guimarães
Tempo: 2 min.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu um alerta sobre a precariedade financeira enfrentada por diversas empresas do setor. De acordo com dados recentes, entre fevereiro e julho do ano passado, cerca de 30% das indústrias que buscaram crédito recorreram a empréstimos de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, para cobrir despesas correntes. Este fenômeno, revelado em um comunicado da CNI, aponta para uma adaptação forçada em meio a um cenário de juros elevados, que atualmente se encontram em 15% ao ano.

A CNI classificou essa prática como uma “distorção preocupante”, já que os empréstimos de longo prazo são tradicionalmente destinados a investimentos de maior durabilidade, como a expansão da capacidade produtiva. Além disso, dos créditos analisados, 30% foram utilizados para a aquisição de máquinas e equipamentos, enquanto 10% foram direcionados a melhorias em instalações. A alta taxa de juros e o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) têm dificultado o acesso ao crédito, levando muitas indústrias a repensar suas estratégias financeiras.

Com um terço das indústrias relatando impactos negativos devido ao IOF, a situação se torna ainda mais complicada. Embora alguns empresários tenham optado por desistir de novos créditos, outros mantiveram seus planos de investimento. A pesquisa da CNI, que ouviu 1.789 indústrias, revela um cenário onde a necessidade de capital de giro se torna preponderante, evidenciando a urgência de soluções que viabilizem o crescimento sustentável do setor industrial brasileiro.

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