Vídeos de provocações capturados sem o consentimento de terceiros por meio de óculos inteligentes, como os Ray-Ban Meta, têm ganhado destaque nas redes sociais, especialmente no TikTok e no Instagram. Desde o lançamento da segunda geração desses dispositivos, em setembro, os conteúdos acumulam milhões de visualizações, levantando questões sobre privacidade e ética na produção de vídeos. As gravações incluem situações desconfortáveis e até assédio, gerando reações e debates acalorados entre usuários e especialistas.
Estudos indicam que criadores de conteúdo têm explorado a capacidade quase imperceptível de gravação dos smart glasses para produzir vídeos que capturam reações espontâneas em locais públicos. Em muitos casos, as pessoas filmadas só descobrem que foram gravadas após a publicação do conteúdo, o que levanta preocupações éticas e legais. A legislação brasileira, que proíbe a exposição da imagem de uma pessoa sem autorização, se mostra mais rigorosa em comparação com a legislação dos Estados Unidos, onde gravações em espaços públicos são permitidas.
As implicações desse fenômeno vão além da discussão sobre privacidade, pois podem resultar em processos por danos morais no Brasil. A Meta, desenvolvedora dos Ray-Ban Meta, já desativou algumas contas que violaram suas políticas ao registrar conteúdo exploratório ou sexual. Com o aumento do uso desses dispositivos, torna-se essencial discutir a necessidade de regulamentações mais claras para proteger a privacidade e os direitos das pessoas em espaços públicos.

