George Saunders traz reflexão sobre arrependimento em novo romance ‘Vigil’

Rodrigo Fonseca
Tempo: 2 min.

Em ‘Vigil’, George Saunders apresenta uma narrativa que entrelaça a vida e a morte ao redor do leito de morte de KJ Boone, um magnata do petróleo. Neste novo trabalho, que marca seu retorno após o aclamado ‘Lincoln in the Bardo’, Saunders utiliza fantasmas para confrontar Boone sobre seu legado de destruição ambiental e sua falta de autorreflexão. A história se passa em um espaço entre a vida e a morte, onde os vivos são quase ausentes e as vozes dos mortos se tornam predominantes.

Os fantasmas que cercam Boone não são meros espectros, mas entidades que questionam sua satisfação e triunfo ao longo da vida, enquanto ele se prepara para o fim. A narrativa revela como Boone, embora tenha acumulado riqueza, também se tornou cúmplice de um legado que ignora a crise climática. À medida que seu corpo falha, sua mente abre-se para os fantasmas que têm questões a levantar sobre suas escolhas e suas consequências.

‘Vigil’ não apenas retoma temas já explorados por Saunders, mas também provoca uma reflexão sobre arrependimento e moralidade em uma era de negação climática. A obra sugere que ainda há tempo para que Boone reconheça seus pecados relacionados ao combustível fóssil, mesmo em seus últimos momentos. Assim, o romance se torna uma crítica à avareza e à falta de responsabilidade social, questionando o verdadeiro custo do sucesso e da riqueza acumulada.

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