A União Europeia (UE) está considerando a implementação do Instrumento Anti-Coerção, informalmente conhecido como “bazuca comercial”, como resposta às ameaças de tarifas de até 10% por parte dos Estados Unidos. O ex-presidente Donald Trump fez essas ameaças em meio a tensões políticas relacionadas ao controle da Groenlândia, o que levou a UE a avaliar sua posição em relação ao comércio internacional.
Esse instrumento foi criado para proteger os países europeus de pressões comerciais que poderiam comprometer sua soberania. Recentemente, declarações do primeiro-ministro alemão indicaram que a Alemanha seria a nação mais impactada por essas tarifas, levando Bruxelas a enxergar a situação como uma forma de chantagem econômica. A “bazuca” permite que a UE adote medidas como restrições em licitações públicas, limitações a investimentos e barreiras a serviços digitais e financeiros.
Luis Ferreira, economista do EFG Private Wealth Management, observa que essa situação reflete uma mudança na dinâmica da globalização, com países buscando cadeias produtivas mais curtas e seguras após a pandemia. Apesar do potencial do Instrumento Anti-Coerção, a dependência da Europa em relação ao comércio externo a torna vulnerável. A mensagem da UE é clara: se o comércio se tornar um instrumento de pressão política, a resposta poderá ser contundente.

