Ex-diretores da CVM rebatem proposta de Haddad sobre fiscalização de fundos

Eduardo Mendonça
Tempo: 2 min.

Ex-diretores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) expressaram críticas à sugestão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de transferir a fiscalização de fundos de investimento para o Banco Central (BC). Durante uma entrevista, Haddad argumentou que a mudança ampliaria o perímetro regulatório do BC, o que, segundo ele, seria uma correção de um erro histórico. A proposta, no entanto, foi considerada simplista e inadequada por especialistas da área.

Os ex-diretores, incluindo Henrique Machado e Pablo Renteria, destacaram que a regulação dos fundos de investimento é complexa e deve permanecer sob a responsabilidade da CVM, que possui uma vocação mais adequada para lidar com a regulação de condutas. Machado ressaltou que a mera transferência dessa competência não resolveria as questões enfrentadas pelo setor, enquanto Renteria alertou que a discussão sobre a regulação dos fundos pode desviar a atenção de problemas financeiros mais sérios da CVM.

Além das críticas à proposta, o ambiente interno da CVM reflete um descontentamento com a ideia, vista como motivada por interesses eleitorais, especialmente com as eleições de 2026 se aproximando. Os ex-diretores sugerem que, em vez de transferências de competência, o foco deveria estar no fortalecimento das instituições reguladoras existentes e na melhoria da coordenação entre a CVM e o BC, garantindo uma regulação mais eficaz e integrada do setor.

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