O desembargador Macário Ramos Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, recebeu R$ 64,7 mil em dezembro, mesmo após ser preso no dia 17 do mesmo mês, sob suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção relacionado à Operação Unha e Carne. Essa operação investiga o vazamento de informações sigilosas que comprometem investigações de tráfico de drogas e armas no Rio de Janeiro, envolvendo o ex-deputado estadual conhecido como TH Joias.
A remuneração de Macário, que inclui várias gratificações e diferenças, supera em 86,3% o teto constitucional, levantando sérias questões sobre a ética e a legalidade de manter salários elevados em casos de prisão. As investigações indicam que o desembargador pode ter facilitado o vazamento de informações para a organização criminosa, comprometendo a eficácia das operações policiais. Além disso, sua proximidade com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio também é alvo de escrutínio por parte das autoridades.
O histórico de Macário, que já enfrentou acusações de corrupção e foi afastado da magistratura por quase 18 anos, adiciona uma camada complexa à atual situação. A revelação de que ele continua a receber salários enquanto enfrenta sérias acusações pode gerar um clamor por reformas nas normas que regem a remuneração de magistrados em situações similares. O desdobramento desse caso pode impactar a confiança pública nas instituições judiciais e na luta contra a corrupção no Brasil.

