Mercosul e UE firmam acordo histórico em Assunção e promovem multilateralismo

Eduardo Mendonça
Tempo: 2 min.

Em 17 de janeiro de 2026, a União Europeia e o Mercosul assinaram um acordo em Assunção que cria uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo. O evento foi celebrado como uma vitória do multilateralismo, destacando a escolha pelo diálogo em tempos de crescente protecionismo. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enfatizou a importância do comércio justo, enquanto o presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou o pacto uma resposta ao uso do comércio como arma geopolítica.

O acordo, que estava em negociação desde 1999, abrange países membros do Mercosul, como Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e representa 30% do PIB mundial. Com a eliminação de tarifas aduaneiras para mais de 90% do comércio bilateral, espera-se que as exportações da UE para o Mercosul aumentem em 39%, enquanto as do Mercosul para a UE crescerão 17%. Contudo, a ausência do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia foi notável, embora ele tenha apoiado o acordo em encontros anteriores.

Apesar do otimismo, o pacto enfrenta forte resistência de agricultores europeus que temem a concorrência desleal de produtos sul-americanos. Protestos em diversos países europeus demonstram a insatisfação com o acordo, levando a Comissão Europeia a buscar garantias para proteger setores vulneráveis. A aprovação do tratado ainda depende do Parlamento Europeu e dos Parlamentos dos países do Mercosul, o que indica que os desafios para sua implementação estão longe de serem superados.

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