As tradings globais de grãos decidiram abandonar a Moratória da Soja, que tinha como objetivo proteger a floresta amazônica, após a aprovação de uma nova lei no Mato Grosso, o maior estado agrícola do Brasil. Essa mudança ocorre em meio a um cenário de crescente pressão por compromissos de sustentabilidade por parte do setor, que prometeu evitar a compra de grãos cultivados em áreas desmatadas. O ceticismo de ambientalistas se intensifica, já que o pacto que existia há duas décadas foi desfeito, levantando questões sobre a capacidade das empresas de cumprir suas promessas de responsabilidade ambiental.
A Moratória da Soja foi inicialmente adotada em 2006, após campanhas de grupos ambientalistas, e visava coibir o desmatamento associado à produção de soja. Com a nova legislação, os incentivos fiscais para as empresas que aderiam ao pacto foram eliminados, permitindo que comprassem soja de fazendas desmatadas até 2020 e 2025. A falta de um compromisso coletivo entre as tradings pode resultar em desafios significativos para a proteção dos ecossistemas, como o Cerrado e o Pantanal, que também enfrentam sérios riscos de degradação.
As implicações dessa decisão são amplas, pois o Brasil continua a enfrentar a perda de vegetação nativa devido à expansão da soja. Além disso, a resposta de grandes consumidores de carne e varejistas à saída das tradings da moratória poderá influenciar futuras políticas de combate ao desmatamento. A transição para compromissos individuais, sem a colaboração que caracterizou a moratória, levanta preocupações sobre a eficácia das iniciativas de conservação no país.

