Veto de Lula à dosimetria das penas provoca isolamento político

Carlos Eduardo Silva
Tempo: 2 min.

O veto do presidente Lula ao projeto que modifica a dosimetria das penas relativas aos atos de 8 de janeiro gerou um novo cenário de disputa política em Brasília. Segundo analistas, essa decisão acabou por isolar o governo em relação ao centro e à direita no Congresso, que já havia se pacificado em torno da proposta. A iniciativa visava evitar uma anistia ampla, reunindo apoio expressivo de diferentes partidos, mas o veto pode acirrar a polarização já existente.

O cientista político Adriano Cerqueira destacou que o veto evidencia a posição divergente da esquerda e do PT, que não se sentem parte desse consenso. A estratégia do governo, ao manter o tema na agenda, parece ser a de mobilizar sua base ideológica em um ano eleitoral, enfatizando a defesa da democracia e a oposição ao golpismo. No entanto, essa abordagem pode intensificar os atritos com outros setores políticos, limitando a construção de consensos.

As implicações do veto são significativas, já que ele pode afastar ainda mais o governo de grupos políticos relevantes e reforçar a divisão no cenário eleitoral. Cerqueira prevê uma reorganização do campo oposicionista, com a possibilidade de candidaturas de centro-direita e figuras ligadas ao bolsonarismo. O veto, portanto, não apenas mantém a polarização, mas também transforma a tentativa de pacificação institucional em um elemento que pode complicar o caminho até as próximas eleições presidenciais.

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