Um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) alerta que a judicialização dos planos de saúde pode atingir até 1,2 milhão de ações anuais até 2035 se não forem implementadas reformas estruturais. Entre 2020 e 2024, as ações judiciais já cresceram 112%, totalizando 298,7 mil novos processos no último ano, o que equivale a uma nova ação a cada 1 minuto e 45 segundos. Esse aumento constante gera preocupações sobre a sustentabilidade do setor e a qualidade dos serviços prestados aos beneficiários.
Os principais motivos para a judicialização incluem demandas por medicamentos, tratamentos médico-hospitalares e reajustes contratuais, com São Paulo respondendo por 38% das ações. O estudo também aponta que, entre 2019 e 2023, a judicialização custou R$ 17,1 bilhões, enquanto o setor de saúde suplementar movimentou R$ 350 bilhões em receitas. Essas estatísticas refletem um cenário financeiro desafiador, que demanda uma coordenação institucional eficaz para resolver a questão da judicialização.
Para reverter essa tendência, especialistas recomendam a implementação de mecanismos administrativos de resolução de conflitos e uma modernização regulatória. O superintendente do IESS destaca que a judicialização não deve ser a primeira opção, mas sim um último recurso, enfatizando a importância de um diálogo eficaz entre reguladores, operadoras e o Judiciário. O futuro do setor depende da capacidade coletiva de promover reformas que garantam um sistema de saúde eficiente e acessível a todos.

