O partido União, Solidariedade e Desenvolvimento, favorável ao regime militar em Mianmar, venceu o assento que foi de Aung San Suu Kyi nas eleições legislativas, conforme reportou uma fonte anônima à AFP nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026. A votação ocorreu em Kawhmu, distrito eleitoral da ex-líder democrática, que cumpre uma pena de 27 anos de prisão por acusações que vão de corrupção a violação de regras sanitárias durante a pandemia.
O resultado representa uma continuidade do controle militar sobre o processo político, após o golpe de Estado de 2021 que depôs Suu Kyi. O partido pró-militar afirmou ter conquistado 15 das 16 cadeiras disponíveis na Câmara Baixa da região de Yangon. A próxima fase das eleições está programada para 25 de janeiro e, segundo os militares, visa restaurar o poder ao povo, embora a realidade política levante dúvidas sobre a legitimidade desse processo.
Com a permanência de Suu Kyi atrás das grades e a dissolução de seu partido, ativistas questionam a autenticidade das eleições, caracterizando o ambiente eleitoral como um cenário de repressão. A manipulação do processo eleitoral e a predominância de candidatos alinhados aos militares são temas centrais nas críticas às eleições, levantando preocupações sobre a verdadeira vontade popular em Mianmar.

