Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) publicaram um estudo que demonstra como as bromélias-tanque epífitas contribuem para a fertilização do solo na Mata Atlântica. A pesquisa, realizada em áreas de restinga, mostra que a água acumulada nas bromélias possui concentrações elevadas de nutrientes, como nitrogênio e fósforo, que são essenciais para o crescimento de plantas como a caroba. Este fenômeno, denominado “interação remota entre plantas”, revela uma nova dinâmica ecológica até então desconhecida.
Além de fornecer água, as bromélias acumulam detritos que, ao transbordarem, fertilizam o solo abaixo delas. Os resultados indicam que plântulas de caroba irrigadas com água das bromélias apresentaram um crescimento substancial em comparação com aquelas irrigadas apenas com água da chuva. A pesquisa sugere que a presença dessas epífitas é crucial para a promoção da diversidade funcional na floresta, favorecendo espécies que dependem de altos níveis nutricionais.
Os autores do estudo ressaltam a importância da conservação das bromélias-tanque, visto que sua redução pode afetar negativamente a biodiversidade local e as funções ecológicas do ambiente. O trabalho destaca um papel ecológico significativo dessas plantas, que, apesar de sua localização nas copas das árvores, têm um impacto direto nas comunidades do solo. Essa nova compreensão pode influenciar futuras estratégias de conservação e manejo da Mata Atlântica.

