O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, ocorrido na semana passada, reacendeu um debate sobre a possibilidade de sanções esportivas a países que realizam ações consideradas ilegais pelo direito internacional. Apesar da existência de bases jurídicas que suportariam tais punições, a influência política e econômica dos EUA no cenário esportivo global torna improvável qualquer ação por parte da Fifa ou do Comitê Olímpico Internacional (COI), especialmente com grandes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos se aproximando.
A legalidade da operação militar dos EUA é questionada sob a perspectiva do direito internacional, onde o uso da força é classificado como crime de agressão na ausência de autorização do Conselho de Segurança da ONU. Apesar de a Fifa e o COI possuírem regulamentos que permitem sanções em nome da integridade das competições, a falta de menções explícitas a casos de guerra torna a aplicação dessas penalidades uma questão complexa e sujeita a pressões políticas. A história recente, como as sanções contra a Rússia, mostra que tais decisões dependem fortemente do contexto político e da pressão internacional.
Os especialistas em direito internacional e desportivo ressaltam que a ausência de critérios claros nos regulamentos esportivos para lidar com conflitos armados e a centralidade dos EUA no sistema esportivo global complicam ainda mais a situação. As sanções contra a Rússia foram precedidas por forte pressão externa, enquanto qualquer medida contra os EUA parece improvável, a menos que surjam circunstâncias que exijam um posicionamento contundente da comunidade internacional. A falta de um órgão independente dentro da Fifa ou do COI para deliberar sobre essas questões também contribui para a fragilidade do sistema de resposta a conflitos armados.

