O Morgan Stanley divulgou uma análise que desafia as expectativas do mercado sobre os empréstimos consignados no Brasil, prevendo um mercado endereçável de cerca de R$ 100 bilhões. Esta estimativa contrasta com as previsões que variam de R$ 200 bilhões a R$ 400 bilhões, refletindo uma avaliação mais conservadora baseada em dados microeconômicos e fundamentos estruturais do mercado. O relatório sugere que fatores como a curta permanência no emprego e prazos mais curtos dos empréstimos restringem o crescimento do setor.
Os dados utilizados pelo banco indicam que a base atendível de trabalhadores formais é de aproximadamente 25 milhões, com uma taxa de penetração de apenas 20%. Essas premissas, consideradas mais realistas, contrastam com as frequentemente citadas de mais de 40 milhões de trabalhadores. Além disso, o tempo médio de emprego de 18 meses limita tanto o público elegível quanto a duração dos contratos, o que pode resultar em um aumento na inadimplência à medida que o mercado amadurece.
Embora o Morgan Stanley não preveja revisões drásticas nas recomendações de ações, a análise serve como um alerta para a possibilidade de expectativas excessivamente otimistas no setor de crédito. O crescimento inicial, impulsionado pela atuação agressiva de credores e fintechs, pode não ser sustentável a longo prazo. Assim, as projeções realistas do mercado de consignado privado são essenciais para bancos e investidores que buscam entender as dinâmicas do crédito ao consumidor no Brasil.

