Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, estão avaliando a possibilidade de derrubar o veto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar ao projeto de lei da dosimetria. Este projeto, que foi aprovado com expressivo apoio do Congresso, visa beneficiar condenados pelos ataques golpistas. A expectativa é que o veto seja formalizado na quinta-feira, o que poderá acirrar as tensões entre o Executivo e o Legislativo.
O projeto da dosimetria, que passou na Câmara por 291 votos a 148 e no Senado por 48 a 25, reflete um apoio significativo entre os parlamentares. Motta e Alcolumbre afirmaram que dispõem do número mínimo de votos necessários para reverter o veto, o que exigiria ao menos 257 deputados e 41 senadores. A movimentação dos parlamentares ocorre em um contexto delicado, uma vez que a discussão sobre a dosimetria tem impactado o ambiente político, especialmente em relação ao evento que marca os três anos dos ataques antidemocráticos.
A ausência dos presidentes da Câmara e do Senado no ato organizado pelo governo é vista como uma estratégia de cautela institucional, evitando uma adesão explícita ao gesto simbólico do governo, enquanto também se opõem à medida. De acordo com o presidente do PP, Ciro Nogueira, há votos suficientes para derrubar o veto, que seria considerado um desrespeito ao Legislativo. A situação destaca as complexas interações políticas entre os poderes e o papel do Congresso na defesa de suas decisões.

