O governo da Itália reiterou, em 7 de janeiro, que dará seu aval ao acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, desde que Bruxelas implemente ‘garantias’ para proteger seu setor agropecuário. A principal demanda do governo italiano é que o tratado assegure reciprocidade nas regras fitossanitárias, especialmente devido ao uso de pesticidas proibidos na União Europeia, mas amplamente utilizados por produtores da América do Sul.
Durante uma reunião ministerial da União Europeia em Bruxelas, o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que aprovará a assinatura do acordo se as garantias solicitadas forem atendidas. A resistência da Itália impediu a votação do tratado em dezembro, que estava previsto para ser assinado durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu no mês anterior. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou a ameaçar desistir do pacto, mas suavizou sua posição após diálogos com a premiê italiana, Giorgia Meloni.
A expectativa é que um eventual aval da Itália possa assegurar a aprovação do texto na União Europeia, mesmo diante da oposição da França. Um porta-voz do chanceler alemão expressou confiança de que a Itália irá aprovar o acordo, o que pode ser decisivo para a concretização do tratado entre os dois blocos. As negociações continuam a ser observadas de perto, dada a importância econômica e política desse acordo para ambos os lados.

