O Grande Bazar de Teerã, vital para a economia do Irã, foi cenário de confrontos violentos entre manifestantes e policiais nesta terça-feira (6). Este é o primeiro grande embate desde que os protestos começaram no fim de dezembro, impulsionados pelo descontentamento com o aumento dos preços e a instabilidade econômica. De acordo com a ONG Iran Human Rights, já foram registradas ao menos 27 mortes, incluindo cinco crianças, desde o início das manifestações.
Os protestos, que se espalharam por pelo menos 45 cidades, refletem uma insatisfação crescente com o governo da República Islâmica e desafiam diretamente o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Os manifestantes gritaram palavras de ordem por liberdade e pela volta da dinastia Pahlavi, derrubada pela Revolução Islâmica de 1979. A repressão tem sido severa, com o uso de gás lacrimogêneo e a detenção em massa de manifestantes, conforme relatado por organizações de direitos humanos.
A onda atual de protestos é considerada a mais grave desde as manifestações de 2022-2023, desencadeadas pela morte de uma mulher sob custódia policial. O governo iraniano anunciou uma ajuda financeira mensal para tentar mitigar a pressão econômica sobre a população, mas a Justiça já advertiu que não tolerará distúrbios. A situação política continua tensa, com a sociedade civil desafiando as autoridades em um contexto de crise econômica e sanções internacionais.

