As eleições de 2026 no Brasil estão se configurando muito antes do início oficial das campanhas, com o fundo eleitoral e o tempo de TV se tornando elementos centrais na disputa por poder. As regras atuais concentram recursos nas mãos das lideranças partidárias, o que proporciona uma vantagem estrutural a partidos maiores, enquanto siglas menores precisam buscar alianças para compensar a falta de recursos financeiros.
Com a distribuição do fundo eleitoral atrelada ao desempenho passado das siglas no Congresso, a dependência de apoio político se intensifica. Candidatos que não possuem o respaldo necessário enfrentam dificuldades em estabelecer campanhas competitivas, mesmo com boas colocações nas pesquisas. Além disso, o tempo de TV, embora menos proeminente devido ao aumento das plataformas digitais, ainda atua como moeda de troca essencial nas articulações políticas.
Essa dinâmica de campanhas pautadas por pragmatismo e alianças muitas vezes desprovidas de coerência programática pode levar a um cenário eleitoral polarizado e fragmentado. A definição antecipada de prioridades e a negociação de recursos e espaços publicitários provavelmente influenciarão a viabilidade das candidaturas, destacando um sistema que favorece as cúpulas partidárias e limita a diversidade de propostas no debate público.

