Decisão sobre finerenona no SUS gera polêmica e pode aumentar desigualdades

Laura Ferreira
Tempo: 2 min.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) decidiu, em dezembro, não incluir a finerenona no tratamento da doença renal crônica associada ao diabetes tipo 2. Essa decisão é vista com preocupação por especialistas, pois contraria evidências científicas que demonstram a eficácia do medicamento e pode levar a um aumento nas desigualdades no acesso ao tratamento, afetando principalmente os pacientes que dependem do SUS.

A finerenona tem se mostrado eficaz em grandes ensaios clínicos, podendo retardar a progressão da doença renal e melhorar desfechos clínicos. Atualmente, cerca de 50 mil novos pacientes começam a fazer diálise anualmente no Brasil, e a maioria deles depende do sistema público de saúde. A exclusão desse tratamento do SUS pode criar um cenário em que a condição socioeconômica determina o tipo de cuidado recebido, contradizendo o princípio de equidade que fundamenta o sistema de saúde brasileiro.

A situação levanta questões éticas e sanitárias, já que a decisão da Conitec ignora a ampla manifestação da sociedade favorável à incorporação da finerenona. Especialistas e entidades médicas já solicitaram ao Ministério da Saúde que reavalie essa recomendação, enfatizando que a inclusão do medicamento representa um passo em direção à justiça social e à sustentabilidade do sistema de saúde, ao invés de perpetuar um modelo que prioriza o tratamento de estágios avançados da doença.

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