Brasil tem 115 povos indígenas isolados, mas proteção é insuficiente

Thiago Martins
Tempo: 2 min.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) contabiliza 115 povos indígenas isolados em todo o Brasil, porém apenas 29 desses grupos são oficialmente reconhecidos pelo Estado. A falta de confirmação para 86 grupos, que representa 75% do total, gera preocupações sobre a vulnerabilidade desses povos, conforme aponta o antropólogo e coordenador do Observatório de Povos Indígenas Isolados, Fábio Ribeiro. Esse passivo no reconhecimento pode ter consequências graves para a proteção territorial dos indígenas.

O desafio para a Funai reside na capacidade de validar a existência desses povos, um processo que demanda provas concretas e pode ser dificultado por limitações institucionais. Ribeiro destaca que muitos povos isolados estão em áreas de alta pressão, como o Arco do Desmatamento, onde a fragmentação territorial os torna ainda mais suscetíveis a invasões e exploração econômica. A situação é preocupante, especialmente em regiões como Ituna-Itatá, no Pará, que já enfrentou invasões e desmatamento significativo.

Os especialistas alertam que a proteção dos povos isolados é essencial, pois muitos deles optaram pelo isolamento após experiências traumáticas, como massacres. O coordenador geral da Funai, Marco Aurélio Milken, reconhece as lacunas existentes, mas salienta que muitos registros estão em áreas protegidas. O fortalecimento da Funai e a contratação de profissionais qualificados são cruciais para enfrentar os desafios crescentes relacionados à preservação dos direitos e territórios desses grupos.

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