A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um recurso de 84 páginas, solicitando a revisão da condenação de 27 anos de prisão. A pena foi imposta devido a sua suposta participação em crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O documento busca esclarecer pontos que a defesa considera omissos ou contraditórios no acórdão do julgamento, que contém mais de 2 mil páginas.
Os advogados de Bolsonaro alegam que o acórdão apresenta “profundas injustiças” e sustentam que não há evidências concretas que o conectem aos ataques de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes em Brasília foram invadidas. Além disso, a defesa argumenta que o processo foi marcado por cerceamento do direito de defesa, citando a grande quantidade de provas e a limitação do tempo para sua análise. O recurso também menciona o voto divergente do ministro Luiz Fux, que propôs a absolvição dos réus principais.
Os embargos de declaração serão inicialmente analisados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e a decisão será submetida à Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Flávio Dino. Especialistas acreditam que é improvável que os embargos alterem o resultado do julgamento, uma vez que os argumentos apresentados já foram previamente rejeitados. O desfecho deste processo é aguardado para ainda este ano, com a expectativa de que o STF também decida sobre o cumprimento das penas impostas aos réus.

