Um ex-assessor do desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) revelou à Polícia Federal um esquema de compra e venda de sentenças que operava em seu gabinete. O depoimento, que ocorreu recentemente, alegou que a filha do desembargador exercia forte influência sobre os processos judiciais, priorizando aqueles de interesse pessoal. A investigação é respaldada por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e já resultou em pedidos de busca e apreensão.
O assessor, que trabalhou por dois anos no gabinete, detalhou que Lia Rachel, filha do desembargador, não apenas orientava as prioridades dos processos, mas também estaria envolvida em transações financeiras ilícitas relacionadas a decisões judiciais. O ex-assessor mencionou ainda um suposto esquema de rachadinha, onde parte de seu salário era destinada a um ex-colega de trabalho, atualmente policial rodoviário. Esses relatos levantam sérias questões sobre a integridade do sistema judicial no Piauí.
As revelações têm implicações significativas, pois sugerem a existência de uma rede de corrupção que compromete a justiça no estado. A Polícia Federal continua a investigar a profundidade do esquema e suas ligações com empresários locais, como um produtor rural que supostamente pagou R$ 26 milhões para uma sentença favorável. A situação é um alerta sobre a necessidade de maior transparência e responsabilidade dentro do Judiciário.

