A sentença de 20 anos imposta ao magnata da mídia Jimmy Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, representa uma nova fase de repressão em Hong Kong. Aos 78 anos, Lai, condenado por sedição, pode passar o restante de sua vida na prisão. A decisão judicial não apenas reflete o estado atual da liberdade de expressão na região, mas também sinaliza a postura que o governo chinês espera que os países estrangeiros adotem em relação a Pequim.
Desde a implementação da Lei de Segurança Nacional da China em 2020, o governo tem buscado desmantelar o movimento pró-democracia em Hong Kong. Até 2026, pelo menos 385 pessoas foram presas e 175 condenadas por crimes relacionados à segurança nacional. Essa repressão sistemática visa estabelecer um controle permanente sobre a sociedade civil e limitar as liberdades individuais na ex-colônia britânica.
A resposta cautelosa do Reino Unido à sentença de Lai levanta questões sobre a eficácia das estratégias internacionais de confrontação. Enquanto a Austrália defende jornalistas detidos, o Reino Unido parece hesitar em adotar uma postura mais firme, o que pode indicar uma mudança na dinâmica das relações internacionais e no tratamento de questões de direitos humanos por parte das potências ocidentais.

