O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma inflação de 0,33% em janeiro, valor que ficou dentro das expectativas do mercado. O aumento da gasolina, que subiu 2,06%, foi um dos principais fatores que influenciaram esse resultado. Segundo analistas consultados, a taxa indica uma desaceleração na desinflação, que ainda está em andamento, mas com uma piora na qualidade dos índices inflacionários.
André Valério, economista sênior do Inter, ressalta que a inflação de serviços continua alta, refletindo um mercado de trabalho aquecido que dificulta a desinflação. Ele acredita que, apesar do cenário atual, não há indícios de um repique inflacionário, pois a inflação não está aumentando de forma generalizada. A expectativa é que a inflação encerre o ano em 4%, segundo Ghilardi, enquanto Valério projeta 3,90% para 2026.
Em relação aos cortes de juros, Humberto Aillon, professor da FIPECAFI, aponta que a resistência da inflação pode impactar as decisões do Banco Central. As estimativas para a Selic variam, com a possibilidade de cortes entre 0,25 e 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões. Analistas acreditam que a Selic poderá cair de dois a três pontos percentuais até 2026, mas com uma postura conservadora do Copom em relação ao controle da inflação.

