O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, ordenou a abertura de um inquérito para apurar se a Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco foram usados para investigar ilegalmente aliados do prefeito do Recife, João Campos. A decisão surge em meio a um embate político entre Campos e a governadora Raquel Lyra, ambos pré-candidatos ao governo estadual, em um cenário onde a imparcialidade das investigações é questionada.
Em sua análise, o ministro destacou que existem “elementos robustos” que sugerem a instrumentalização dos órgãos investigativos, especialmente considerando o contexto eleitoral atual. Um dos episódios que motivaram a investigação envolve a instalação de um rastreador no carro de um secretário municipal, realizado sem autorização judicial, enquanto outro envolve investigações amplas contra servidores ligados à prefeitura. Mendes classificou essas ações como uma potencial “pesca probatória”, indicando que as investigações poderiam ter uma finalidade política disfarçada.
A decisão de Mendes também incluiu o trancamento das investigações do Ministério Público contra servidores da prefeitura, além de notificar o Conselho Nacional do Ministério Público para uma investigação administrativa do caso. A governadora Raquel Lyra defendeu a autonomia da Polícia Civil e negou qualquer intenção de perseguição política, ressaltando a importância de manter a integridade das instituições diante de acusações que podem comprometer a confiança pública.

