Em entrevista à revista VEJA, o gerontólogo Alexandre Kalache, de 80 anos, argumenta que a sexualidade na terceira idade não deve ser temida, apesar das mudanças que ocorrem com o envelhecimento. Ele afirma que a ideia de perda de interesse sexual está ligada ao preconceito conhecido como etarismo, que, segundo ele, é tão prejudicial quanto o racismo e o machismo.
Kalache introduz o conceito de ‘gerontolescência’, que sugere que este período da vida é uma oportunidade para novas descobertas e liberdade. Ele ressalta que, embora o desejo persista, a forma como as pessoas se relacionam sexualmente evolui, levando a um maior foco no toque e no carinho. O especialista enfatiza que é vital que os idosos se libertem de expectativas tradicionais sobre sexo e busquem novas experiências.
O médico também aponta que o preconceito em relação à sexualidade na terceira idade é mais intenso para as mulheres, que enfrentam mais olhares críticos ao manter relacionamentos amorosos. Para Kalache, mesmo em sociedades mais avançadas, essa questão persiste, mas ele acredita que a evolução é possível e que a abertura a novas atitudes pode transformar a vivência sexual dos idosos.

