O longa-metragem ‘A Voz de Hind Rajab’ narra a angustiante história de uma menina presa em um carro atingido por tropas israelenses na Faixa de Gaza, em janeiro de 2024. A trama se desenrola a partir do telefonema de um tio à central do Crescente Vermelho, que busca resgatar a criança após o ataque que resultou na morte de sua família. A cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania utiliza gravações reais da menina, dramatizando a tensão do momento em que ela pede ajuda aos agentes humanitários.
O filme se destaca por abordar a situação humanitária em Gaza sem se aprofundar nas complexidades do conflito, focando na experiência angustiante da menina e na luta dos voluntários para salvá-la. A narrativa se passa quase que inteiramente dentro da central do Crescente Vermelho, onde os operadores enfrentam a pressão de obter autorização do exército israelense para realizar o resgate. Essa dinâmica revela não apenas a vulnerabilidade da criança, mas também a dificuldade que os agentes humanitários enfrentam em cenários de guerra.
‘A Voz de Hind Rajab’ tem gerado polêmica desde sua exibição no Festival de Veneza, sendo indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro. Apesar de sua abordagem crítica ao genocídio palestino, a obra levanta questões éticas sobre a exploração de dramas reais para provocar comoção. A cineasta provoca reflexões sobre o papel do cinema e da arte diante da brutalidade humana, questionando até que ponto é ético reviver e representar tais tragédias.

