A indústria brasileira enfrenta dificuldades significativas para encontrar trabalhadores qualificados, mesmo com a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos. De acordo com uma nota técnica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa escassez já se tornou o quarto principal obstáculo ao setor produtivo, afetando especialmente as pequenas empresas. A nota indica que, enquanto a taxa de desocupação foi de 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, a informalidade permanece alta, com cerca de 38% da força de trabalho atuando sem registro.
A CNI ressalta que a falta de qualificação está diretamente ligada à competitividade das empresas, dificultando ganhos de produtividade e eficiência. Entre as pequenas empresas, a ausência de profissionais capacitados chega a 28,4%, tornando-se o segundo maior problema enfrentado, atrás apenas da carga tributária. Além disso, a entidade observa que as empresas têm encontrado dificuldades em promover treinamentos, devido à baixa qualidade da educação básica, o que torna o processo de qualificação mais desafiador.
A nota técnica também aponta uma necessidade urgente de requalificação contínua, com 3 em cada 5 trabalhadores do setor industrial precisando de treinamento para se adaptar às transformações tecnológicas. Paralelamente, a CNI destaca uma mudança no comportamento dos jovens, que estão cada vez mais preferindo atuar de forma autônoma, com 59% da população brasileira manifestando essa preferência, sendo que entre os jovens de 16 a 24 anos, essa taxa se aproxima de 70%.

