O deputado federal Silas Câmara, uma das principais vozes da bancada evangélica, participou da assinatura de um acordo entre o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). Este acordo, datado de julho de 2022, permitiu que a CBPA recebesse R$ 221 milhões em repasses do INSS a partir de março de 2023, período em que a entidade se tornou alvo de uma investigação por possíveis fraudes relacionadas a descontos em aposentadorias.
Desde a efetivação do acordo, a CBPA experimentou um crescimento significativo no número de associados, saltando de 35 mil para mais de 220 mil. No entanto, a Controladoria-Geral da União questionou a legitimidade desses descontos, após ouvir uma amostra de associados, que afirmaram não ter autorizado as deduções. A situação se complica ainda mais com a revelação de que empresas de familiares de Silas Câmara receberam R$ 1,8 milhão da CBPA, levantando preocupações sobre a possível utilização indevida de recursos públicos.
A investigação da CPI do INSS se intensificou após depoimentos que trouxeram à tona a relação entre a CBPA e Silas Câmara, destacando as controvérsias que cercam o deputado e suas ligações familiares. A defesa de Câmara argumenta que não há indícios de irregularidades, mas a situação continua a gerar polêmica, refletindo divisões nas lideranças evangélicas e a crescente pressão para esclarecer as operações da CBPA e seus vínculos com o INSS.

