O Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar) projeta uma queda de 5,9% nas vendas de material escolar em 2026, em meio a um cenário de inflação elevada e famílias endividadas. Este recuo acontece após um leve crescimento de 2,7% em 2025, mas a situação econômica ainda se mostra desafiadora, especialmente para itens de maior valor, como uniformes e cadernos.
O aumento dos preços dos materiais escolares, que subiram 29,3% entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, contrasta com a inflação oficial de 14,3% no mesmo período. As famílias enfrentam dificuldades financeiras e, para contornar isso, devem optar por estratégias como a reutilização de materiais e a busca por opções mais baratas. Claudio Felisoni, presidente do Ibevar, destaca que a volta às aulas de 2026 ocorrerá em um ambiente mais hostil, exigindo adaptações por parte do varejo.
Em regiões como o Norte e Nordeste, onde a renda média é mais baixa, o impacto do gasto com material escolar é ainda mais severo, comprometendo até 40% da renda mensal das famílias. Em resposta, os consumidores tendem a adiar compras e priorizar itens essenciais, enquanto o varejo busca formas de oferecer produtos acessíveis. Esse cenário reflete a necessidade urgente de políticas que ajudem a mitigar os efeitos da crise sobre as famílias brasileiras.

