O uso de melatonina, um suplemento disponível em formas como comprimidos e gomas, tem se tornado comum entre pessoas em busca de alívio para insônia. Contudo, um estudo realizado nos Estados Unidos sugere que o uso prolongado da substância pode estar associado a um aumento no risco de doenças cardiovasculares, especialmente em adultos com insônia crônica. Os resultados indicam que os usuários dessa substância podem ter 90% mais chances de desenvolver insuficiência cardíaca ao longo de cinco anos.
Os dados, apresentados pela Associação Americana do Coração, foram coletados a partir de mais de 130 mil prontuários médicos. Embora os pesquisadores não possam afirmar que a melatonina é a causa direta das complicações observadas, a neurologista Giuliana Macedo Mendes ressalta que a associação é preocupante e deve ser considerada tanto por profissionais de saúde quanto pelo público em geral. A Anvisa, por sua vez, classifica a melatonina como um suplemento alimentar, o que permite sua venda sem receita, mas isso levanta questões sobre sua segurança e eficácia.
A crescente popularidade da melatonina traz à tona a necessidade de acompanhamento médico no seu uso. A automedicação, frequentemente acompanhada de dosagens inadequadas que superam os limites seguros, pode resultar em efeitos colaterais e complicações a longo prazo. Especialistas recomendam que pacientes busquem alternativas de tratamento para insônia, incluindo terapia cognitivo-comportamental e ajustes no estilo de vida, ao invés de depender exclusivamente de suplementos.

