Tragédia em ato político em Brasília evoca o mito de Zé do Burro

Carlos Eduardo Silva
Tempo: 2 min.

Em janeiro de 2026, Brasília foi palco de um ato político promovido por Nikolas Ferreira, que culminou em uma tragédia quando um raio atingiu a multidão, deixando dezenas de feridos. Esse evento remete à narrativa do filme ‘O Pagador de Promessas’, onde Zé do Burro, após fazer uma promessa a Iansã, também enfrenta um raio que muda seu destino. A conexão entre esses acontecimentos provoca reflexões profundas sobre fé, cultura e a maneira como o Brasil lida com suas tragédias históricas.

A história de Zé do Burro, que simboliza a inocência e a exploração do povo brasileiro, contrasta com a marcha cívica contemporânea que busca legitimar atos políticos através da encenação. Enquanto o personagem do filme é perseguido por instituições e oportunistas, o ato de 2026 revela uma estratégia política que utiliza a dor real como uma ferramenta de mobilização. O simbolismo do raio, associado a Iansã, questiona a interpretação coletiva sobre o que constitui um sinal divino ou um mero acidente, refletindo a fragilidade das narrativas que cercam o sofrimento humano.

A ironia presente nos dois eventos destaca a transformação da inocência em mártir e a instrumentalização da dor pela política. Em um contexto onde a tragédia de um homem puro se torna uma ameaça, a farsa contemporânea se revela como uma liturgia cívica, repleta de símbolos e significados. O Brasil, ao fabricar mártires e inimigos, continua a viver entre a tragédia e a farsa, questionando a natureza de seus próprios símbolos e a capacidade de discernir entre fé e encenação.

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