O governo britânico anunciou uma indenização significativa a Abu Zubaydah, detento da base americana em Guantánamo, Cuba, que acusou o Reino Unido de envolvimento em torturas realizadas pela CIA. O acordo foi revelado nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, por sua advogada, após anos de detenção sem julgamento. Zubaydah, um palestino apátrida, é considerado um dos primeiros prisioneiros submetidos a técnicas de tortura após os ataques de 11 de setembro de 2001.
O detento, que está preso há mais de 20 anos, processou o Reino Unido, alegando que os serviços de inteligência britânicos tinham conhecimento das torturas e colaboraram com a CIA ao enviar perguntas para os interrogatórios. A advogada Helen Duffy informou que o acordo financeiro, embora não divulgado, representa uma forma de reparação e um reconhecimento do sofrimento infligido a seu cliente. Ela ressaltou que, apesar da indenização, o valor é claramente insuficiente para compensar as obrigações do Reino Unido.
Esse acordo pode ter implicações significativas para a reputação do Reino Unido no que diz respeito a direitos humanos e práticas de tortura. O reconhecimento da cumplicidade em torturas pode abrir precedentes para futuros casos, além de intensificar as críticas sobre a atuação dos serviços de inteligência britânicos. O caso de Zubaydah destaca a complexidade das políticas de segurança e os dilemas éticos enfrentados por governos em situações de terrorismo.

