O projeto Ice Memory, localizado próximo à base ítalo-francesa Concordia, na Antártica, visa preservar amostras de glaciares ameaçados. Com temperaturas que chegam a 52 graus negativos, o santuário foi concebido para guardar fragmentos de gelo que, se perdidos, não poderão ser estudados pela ciência. A iniciativa surge em resposta ao alarmante derretimento das geleiras, que ocorre em um ritmo superior ao previsto por modelos climáticos pessimistas.
Um estudo recente publicado na revista Nature introduz o conceito de “pico de extinção”, indicando que o desaparecimento das geleiras pode se intensificar nas próximas décadas. Mesmo sob condições de aquecimento global limitadas a 1,5 grau, cerca de 2.000 glaciares podem derreter anualmente. Esse cenário se torna ainda mais sombrio em temperaturas mais elevadas, onde a perda pode dobrar, afetando ecossistemas e recursos hídricos essenciais.
A preservação dessas amostras é crucial para entender a história climática da Terra e as mudanças ambientais em curso. O santuário, desenvolvido por instituições de pesquisa da Itália, França e Suíça, não pertence a nenhum país, simbolizando um esforço global para manter a memória do clima. Com o aumento das temperaturas e a perda de geleiras, o impacto será sentido em todo o mundo, reforçando a urgência de iniciativas como essa.

