O Panamá anunciou, nesta sexta-feira (30), que está em tratativas com a dinamarquesa Maersk para assumir temporariamente a operação de dois portos estratégicos. Essa decisão surge após a Suprema Corte panamenha ter invalidado a concessão da empresa de Hong Kong CK Hutchison, uma medida que gerou forte reação da China e foi influenciada por pressões dos Estados Unidos. O presidente panamenho, José Raúl Mulino, confirmou que as conversas já começaram e que a Maersk demonstrou interesse em assumir a responsabilidade operacional dos terminais.
A Suprema Corte do Panamá declarou inconstitucionais os contratos que permitiam à CK Hutchison controlar os portos de Balboa e Cristóbal. A decisão acirrou as tensões entre o Panamá e a China, que prometeu proteger os interesses de suas empresas em resposta à anulação. Mulino classificou os contratos anteriores como abusivos e assegurou que haverá uma transição ordenada, mantendo as operações portuárias sem interrupções durante o processo de mudança.
As implicações dessa decisão são significativas, uma vez que os portos do Panamá representam uma rota crucial para o comércio global, com cerca de 5% do tráfego marítimo mundial passando por essa via. A movimentação de ações da CK Hutchison na Bolsa de Hong Kong, que caiu 4,6% após o anúncio, reflete a inquietação do mercado. Especialistas alertam que a pressão dos Estados Unidos sobre a operação do canal pode levar investidores a serem mais cautelosos em futuros projetos de infraestrutura na região.

