O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o general da reserva Mario Fernandes a trabalhar na revisão de doutrinas militares, apesar de sua condenação por envolvimento em uma conspiração golpista. Fernandes, que está preso preventivamente e já cumpre uma pena de 26 anos e seis meses, será alocado na Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército, além do Centro de Doutrina do Exército.
As atividades do general incluem a revisão de documentos doutrinários e a produção de textos técnicos relacionados à história militar e à estrutura da Força. Moraes justificou a autorização afirmando que o trabalho de presos deve ser incentivado como parte de sua ressocialização e preparação para reintegração social. Fernandes, que esteve à frente do plano ‘Punhal Verde e Amarelo’, admite sua criação, mas nega ter apresentado a proposta a outros.
A decisão de Moraes levanta questões sobre a ética envolvida na utilização de um condenado em um contexto militar, especialmente considerando o histórico do general. A implementação de seu trabalho será em regime controlado, com acesso restrito a recursos digitais. O desdobramento dessa autorização poderá influenciar futuros casos envolvendo a reabilitação de presos em funções públicas.

