A TV Globo fez história ao apresentar sua primeira protagonista negra em uma novela das 8, que estreou em 14 de setembro de 2009, com Taís Araújo no papel principal em ‘Viver a Vida’. O autor Manoel Carlos, que faleceu no último dia 10, declarou que, apesar da importância do marco, não atribuía destaque à questão racial, enfatizando a juventude da personagem como o aspecto mais relevante.
Durante entrevistas, Manoel Carlos afirmou que sua intenção inicial era criar uma protagonista jovem e bem-sucedida, sem se preocupar com a cor da pele da atriz. Sua declaração de que poderia ter escolhido uma atriz de qualquer origem racial gerou controvérsia e trouxe à tona discussões sobre a representação de artistas negros na mídia, que historicamente foi escassa. Taís Araújo, por sua vez, refletiu sobre a importância do papel e o impacto que teve na vida de muitas mulheres brasileiras, que se sentiram representadas.
As declarações de Carlos, ao desconsiderar a relevância racial, provocaram debates sobre a necessidade de abordar questões raciais na televisão e na sociedade. A trajetória de Taís Araújo como protagonista negra, que já havia sido pioneira em outras novelas, destaca os avanços e desafios na representação da diversidade na mídia brasileira. O legado de Manoel Carlos, portanto, é complexo, refletindo tanto um passo adiante quanto os limites ainda existentes na representação racial na televisão.

